Avó da Semana: Maria da Conceição Zagalo (Avó Caúcha)

Avó da Semana

Avó Caúcha é o carinhoso nome pelo qual os dois netos de Maria da Conceição Zagalo a tratam. A entrar nos 65 anos, nasceu em Riachos “num espaço a que regresso todos os fins de semana para me reconciliar com os meus pássaros, os meus sítios, as minhas raízes a que cada vez mais quero agarrar os meus netos que comigo partilham durante a semana o bairro de Campo de Ourique, em Lisboa”. É casada há 41 “com um homem que é companheiro, pai, avô de referência”.

Foi numa entrevista muito simpática e aberta, que a Avó Caúcha nos contou quem é, o que pensa e como interage com os seus dois “espetaculares netos, filhos da minha filha mais velha, o Manel e a Rita.“

— Qual é/foi a sua profissão?

— Trabalhei durante quatro décadas na mesma empresa, a IBM, onde fiz uma evolução de carreira da base até ao topo. Funções administrativas, desenvolvimento de rotinas aplicacionais, vendas, comunicação, marketing, responsabilidade social… gestão, foram áreas que me permitiram crescer enquanto profissional e enquanto pessoa. Culminei enquanto Diretora da Divisão de Comunicações Marketing e Cidadania na IBM em Portugal, numa função que acumulei com a de membro do Conselho Diretivo da empresa.

Talvez porque a isso me obrigou a responsabilidade de quase 40 anos de carreira na IBM, empresa muito atenta ao cumprimento de códigos de conduta e de vestuário, o meu género é basicamente clássico, mas não tenho propriamente uma loja preferida. Nem de roupa nem de sapatos. Sou mais de passar num sítio e de me deixar apaixonar por uma peça a que não resisto. Já tenho regressado a lojas por onde passei sem comprar um vestido de que gostei e voltado lá porque adormeci a pensar que afinal o mereço. Mas, vamos lá, se sinto que preciso de um mimo passo no Corte Inglês, ou nas Amoreiras, ou na baixa… e normalmente regresso a casa sentindo-me bafejada pela sorte.

Já com os sapatos a coisa fia mais fino. Eu sei que estou nova… mas os meus pés nem por isso. Sobretudo porque os tratei mal usando saltos muito altos durante demasiados anos. E aí vejo-me e desejo-me para encontrar “os” sapatos. Quando assim é vou até ao Colombo. E no meio de tanta escolha acabo por encontrar o que preciso, ainda que por vezes essa disponibilidade me saia cara.

— Entretanto, reformou-se…

— Sim, mas não deixei de trabalhar! Nem pensar. Acho que morria. O meu primeiro dia de vida não ativa foi a trabalhar. Gestão associativa, consultoria, empreendedorismo social, aulas, júris de prémios, voluntariado, missões, mentorings, coachings… e… netos, netos, netos! Mas mesmo assim, desde essa altura que deixo apenas para os atos mais formais o vestuário clássico a que me habituei e adoto cada vez com mais empenho o conforto do “smart casual”. Assumo-me como mulher de vaidades e de gosto por variar, mas fazendo questão de me sentir sempre bem e não me deixando apanhar pela necessidade repentina de não fazer má figura em qualquer inesperada circunstância. Também me maquilhei durante anos a fio… os tais 40. Hoje em dia dou mais descanso à minha pele. Mas gosto de me ver maquilhada, é a mais pura das verdades. E tento cada vez mais encontrar produtos que não me castiguem a pele nem me marquem muito o rosto… mas que funcionem um pouco como caixa de saúde. Acima de tudo gosto de olhar para o espelho e de me sentir bem refletida. Assim, uma questão de mim para comigo… a tal vaidade assumida. Claro que momentos especiais são de traje e maquilhagem cuidados. Sou bastante seletiva nas marcas. Até porque não corro o risco de alergias. Dior… gosto… mas também na Biotherm tenho encontrado virtudes. E se puder alternar, melhor, também para criar algum efeito de pousio na minha pele. Perfume, acho que funciono um pouco por ondas. Jacomo foi o primeiro luxo a que, nos meus primeiros tempos de autonomia financeira, me pude permitir. Mas já usei Channel 5, o J’Adore da Dior, o Elle da Giorgio Armani… neste momento, sem dúvida que me enche as medidas o Aura da Lowe.

— Quais são os seus passatempos preferidos?

— Adoro viajar. Cada vez mais. Viajei tantos anos sem conhecer muito mais do que aeroportos, hotéis, centros de formação e locais de conferências… Agora bem que me desforro. Como ainda por cima giro melhor as minhas poupanças estando reformada do que no ativo, tenho conseguido fazer algumas das viagens há muito ambicionadas. Por sistema gosto de conhecer novos locais, novas culturas, novas formas de estar na vida. E, no cômputo global dos mais de 30 países até agora visitados, foram tantas as viagens que me marcaram… Mas, sem dúvida que o Vietname ocupa lugar-rei no meu rol de referências. Estava ainda no ativo. Fiz um voluntariado de seis meses que me marcou para a vida… e que acabou por influenciar a minha decisão de reforma e de opção de trabalho diferente. Mas já este ano fui a Goa e adorei. E em missão a quatro ilhas de Cabo Verde… adorei. Em Outubro completarei 65 anos de vida numa missão em Moçambique… sinto-me fascinada. Mas, ah! O cruzeiro em Abril às Baleares numa viagem de avós e netos, essa acompanhar-me-á até ao último dos meus dias. Só nós 4… 10 dias… Alguém duvida do gozo que isto pode dar? Como escrevi nessa altura, o Manel e a Rita ganharam mundo. Nós, avós, ganhámos vida!

E gosto mesmo muito de ler. Tenho lido obras tão interessantes na vida. Desde os Maias, ao Equador, passando pelo Meu Pé de Laranja Lima, ou mais recentemente a tetralogia da Amiga Genial, tantos e tão bons têm sido os livros lidos que corro o risco de falhar por falta ou por excesso de referências.

Também gosto de cinema e o filme da minha vida… que gosto de ver todos os natais… e sem ser nos natais… vá, de verdade… é mesmo o “Música no Coração”. Pronto, está dito! (risos)

Gosto de cozinhar, gosto mesmo muito de cozinhar. Mas nada de muito sofisticado. Não necessariamente por obrigação, mas quando me dá gozo experimentar a combinação de ingredientes. Gosto de experimentar temperos na mesma proporção em que gosto de me arranjar ou de conhecer novos locais e novas culturas. Porque me sinto bem. Neste gosto e nessas experimentações apurei a minha receita de arroz doce. Dizem, a Família e os Amigos, que é a melhor de todas. Já os meus netos gostam dos bifinhos com o arroz da avó. E também da canja feita com as galinhas lá da terra. Ou daquela massa com borrego, cenoura e alho francês… Sopa de peixe, ovos escalfados com feijão encarnado, bacalhau no forno, arroz de peixe, jardineira, arroz doce, bolo de noz e amêndoa… são alguns dos cozinhados que me saem sempre bem.

Não tenho propriamente um prato favorito… ui gosto de tudo. Mas… gosto muito de peixe. Fresco, grelhado, cozido, assado. Gosto de uma boa caldeirada. E de uma boa feijoada. Adoro bacalhau… e sardinhas. Ensopado de borrego. Petiscos, gosto mesmo muito de petiscos… é isso, acima de tudo sempre tive muito boa boca.

Mas também a jardinar eu me sinto tão bem… sobretudo lá na quinta onde tudo parece crescer para mim… até as ervas daninhas que posso arrancar em dias de maior necessidade de tempo para pensar, para refletir comigo própria e com a vida.

— Pratica algum tipo de desporto?

Desporto… a resposta correta? Sim… A mais verdadeira? Tem dias… Gosto… muito… de caminhar. Sozinha, acompanhada, na cidade, no campo, em peregrinação, nas férias. Mas estou na idade de ter que ser mais assídua. Sob o risco de ficar velha e perceber que perdi oportunidades.   Um dia destes vou para um ginásio… ou para uma piscina… e aí passo a ter a resposta salutarmente ideal.

— Como foi a sua infância?

— Sou parte de uma família enorme. Pai com mais seis irmãos, mãe com mais 14. E nós, sendo cinco irmãos deste casal de grandes agregados familiares, somos já mais de 40 quando nos reunimos todos, o que não acontece tantas vezes quanto desejaríamos mercê das vidas de cada um… mas pelo menos 4 vezes por ano. Natal, Páscoa, aniversário da avó e mais uma ou outra circunstância especial que sempre acontece ao longo do ano, e lá se gera a confusão de vozes, de ementas, de histórias para contar, entre outras. Sem o ser, eu sempre fui um pouco a filha do meio. Duas irmãs mais velhas, um rapaz, eu e outro mais novo. Elas tinham interesses que não eram para a minha idade… eles enaipavam os dois. Eu sobrava, diria eu. A força que isso me deu, nem se imagine. Superação, necessidade de encontro e de gestão de espaço próprio, força de vencer… claro que tudo isso, influenciado por uns pais fabulosos, me ajudou a crescer enquanto pessoa e enquanto parte importante da sociedade.

— A relação que partilhou com os seus avós é mais parecida ou mais diferente da que os seus netos têm consigo?

— Eu tive avós que adorei. Sobretudo o meu Avô Mário, paterno, e a minha Avó Júlia, mãe da minha mãe. É verdade que eu tinha uma muito boa relação com eles e que deles tenho excelentes memórias. Mas sem dúvida que os meus netos têm muitíssimo mais contacto comigo do que eu tive com os meus avós. E também mais do que as minhas filhas, que tendo uma relação de grande carinho com os meus pais, estiveram, também pela força da distância geográfica, mais afastados deles do que nós estamos do Manel e da Rita. Creio que também na relação avós netos as coisas se têm alterado. Talvez o facto de eu ter sido avó mais tarde do que os meus pais o foram me tenha facilitado a tomada de decisão para conciliação de reforma com a condição de avó. E isso é muito bom!

— Que principais diferenças destacaria entre a educação que hoje os pais dão aos filhos e a que deu aos seus próprios filhos ou a que lhe deram a si?

— Eu acho que estas questões dependem muito dos contextos familiares de cada um. Eu cresci num contexto de pai trabalhador, gestor e político de vida profissional muito intensa. E de mãe que, por cultura e opção, tratou de filhos e da gestão da casa. Ambos com uma vida social muito cheia. Já as minhas sempre foram filhas de pais trabalhadores, ambos com algumas ausências do país por razões profissionais. Pergunta-me se isto influencia diferentemente o crescimento das crianças? Decerto que sim. Mas a dinâmica social e de mercado a isso nos conduz. Vivemos hoje num mundo mais global, mais acelerado, com ciclos de vida e de crescimento muito mais ativos e, consequentemente, as crianças são educadas de forma diferente, em linha com esta espiral do tempo. Seguramente que os meus netos têm interesses muito mais desenvolvidos do que eu tinha na idade deles. E as minhas filhas já sentiram isso mais do que eu. Mas é disso que trata a evolução do mundo. Assim saibamos nós não nos desresponsabilizarmos do nosso papel de educadores e não descurarmos princípios e valores que são intemporalmente vitais para a educação de filhos e de netos.

— O que significa para si ser Avó?

­— Ai Meu Deus… isso é uma pergunta do tipo porque é que gostas dos teus netos para uma resposta porque sim. Mas, vamos ver, ser avó significa reconfirmar a condição de mãe, de educadora, de referência em matéria de afeto, de educação, de amor. Ser avó significa entrega, gratuidade, ternura, disponibilidade incondicional. Ser avó significa qualidade de vida, satisfação pessoal, orgulho, realização.

Ser avó significa, mesmo, lançar sementes de princípios, de valores, de amor, regá-las com muita sensatez e muito afeto, para colher frutos de sorrisos, de alegria, de assumida saudade a cada ausência mais prolongada.

—Como é que recebeu a notícia de que ia ser avó pela primeira vez?

­— Ah, foi maravilhoso. Sabe que a tal vida profissional muito intensa que sempre tive nem sempre me deixou para filhas todo o tempo que eu gostaria. E fi-lo por opção, repare-se. Mas, talvez por isso, quando soube que ia ser avó e pela forma como a Catarina mo disse, eu senti que ia poder desforrar-me nos netos do tempo que não tinha tido com as filhas. Confirmou-se!

— O que sentiu quando nasceu o seu primeiro neto?

— Há coisas que a gente não sabe explicar. Amor por filho é amor por filho. Ponto final. Amor por neto não nos cabe dentro do peito. O primeiro, a segunda, os que venham a seguir, serão seguramente a confirmação do pleno de felicidade pelo desempenho do nosso papel enquanto seres humanos, enquanto pais, enquanto avós… Percebo tão bem a alegria da minha mãe quando, do alto dos seus quase 91 anos, enche a boca para dizer que vai ter o 31º bisneto…

— A primeira vez que ficou com o seu neto, sendo ele provavelmente bebé, como é que foi?

— O Manel ficou pela primeira vez comigo com um mês e picos, eu acho. Os pais deram um salto à Madeira e nós ficámos com ele. Claro que a responsabilidade é enorme. Mas também é claro que se nem nós nem os pais nos sentíssemos confiantes, isso não tinha acontecido. Os meus netos sempre tiveram o seu espaço na minha casa ou na casa dos meus pais. Mas eu também sempre me senti com o meu espaço na casa das minhas filhas. Acima de tudo temos presente a necessidade de respeitar a privacidade e todos queremos harmonia no relacionamento pessoal e familiar.

— Achou difícil pôr-se no lugar de “apenas” Avó quando os seus netos nasceram?

— Sou muito da opinião que em contextos familiares maduros cada qual tem noção do seu espaço e não há que haver interferências nem devassa de privacidade de parte a parte. Pautamo-nos pelo respeito no relacionamento familiar e adotamos, de forma muito natural, o sistema “on demand”, ou seja, estamos disponíveis à medida de cada circunstância. E, assim, não pondo em causa compromissos pessoais, colocamo-nos a jeito caso surja a necessidade/oportunidade de ficarmos com os netos, seja em Lisboa seja no Ribatejo ou em viagem.

—Os pais educam, os avós deseducam. É verdade? Uma Avó deve ser uma segunda mãe ou descreveria de forma diferente este papel?

—Nunca, jamais, não posso estar mais em desacordo. Pais educam. Avós educam. A última coisa que posso pretender é que os meus netos sofram com a disparidade de princípios e de hábitos entre pais e avós. Eles têm que sentir que pelo facto de os avós terem mais disponibilidade para eles do que tiveram para os pais deles não lhes dá o direito de abusarem ou terem mais à vontade com os avós do que têm com os pais. Ser tolerante ou mais paciente com os netos do que se foi com os filhos não significa, nem um bocadinho, atitudes de “à vontadinha” por parte dos netos nem desinvestimento em educação e muito menos em formação por parte dos avós.

— Influencia de alguma forma as decisões dos seus filhos em relação aos netos ou deixa esse papel para eles? 

— Não me passa pela cabeça interferir na relação dos pais dos meus netos com os filhos. São eles que os conhecem melhor do que ninguém e que sabem exatamente o que, como e quando fazer seja o que for com eles. Tenho sempre bem presente o velho ditado… quem sabe da tenda é o tendeiro. Mas, verdade seja dita, os pais também não interferem no modo de relacionamento de netos e avós. Confiam… confiamos… e tudo corre bem.

— Como descreve os seus netos?

— Eu diria que, não é por serem meus, mas os meus netos são fantásticos. Bons meninos até dizer chega, com um coração enorme e bem educadinhos, ela mais extrovertida ele mais tímido, complementa-se e de que maneira e, sendo extraordinariamente amigos um do outro, são motivo de alegria para toda a Família.

O Manel, na sua timidez, é doce, curioso, atento, simpático, decidido, interessado, sensato, amoroso, muito responsável.

A Rita é o cúmulo do despacho, da espontaneidade, jorra alegria por todos os poros, é feminina, determinada, alegre, super-autónoma… muito engraçada.

Ambos são tão amorosos, afetuosos, fáceis e especiais quanto bonitos… por fora e por dentro… As histórias com os meus netos são quase diárias. Também porque estamos muito com eles e conversamos sobre tudo e mais alguma coisa, o que por vezes suscita trocadilhos e situações muito engraçadas. Menos efusivo e de oito anos muito crescidos, o Manel não arrisca tanto nas graçolas pois não corre o risco de ser alvo de brincadeira. Já a Rita, do alto dos seus seis anos tão alegres quanto expressivos, é mesmo expoente máximo da extroversão. Adora fazer jogos de tudo e mais alguma coisa. E nas viagens… fazemos muitas… sempre arranja jogos de palavras ou adivinhas, como que em jeito de encurtar o tempo e aninar a circunstância.

Há tempos, a jogar cartas diz-me:

Avó, adivinhe… uma comida branca começada por com … Rita, não sei… Avó… conflor!

Avó, uma comida que é verde e começa por xe… avó concentre-se. Ai Rita, não sei… Avó, então… xepargos!

Vá, Avó, outra carta. É verde, começa por p e é “vertical”. Rita, já pensei… não sei. Avó, pepino, “é óbvio”.

A caminho do Casal das Flores, nos Riachos: Avó, uma palavra começada por oto? Admirei-me… Rita, otorrino? que está relacionado com ouvidos e nariz? Avó, nada disso… otoestrada!!!

Já, em tempo de eleições americanas, e quando, após a opinião da mãe e do irmão sobre o atual governante, a Rita é questionada sobre o tema, responde muito rapidamente… mãe, porquê essa pergunta? a mãe já sabe que eu não me interesso nada por futebol! 😊

—O seu marido é um avô “babado”?

— É claro que sim. Assumimos o nosso relacionamento com os netos como mais um projeto a dois. Foi assim que fizemos com as nossas filhas e, com as devidas adaptações decorrentes da evolução dos tempos e da condição de avós e não de pais, dedicamo-nos ambos a eles de alma e coração. Mas é verdade que o Manel e o avô têm uma relação de total cumplicidade. O “meu amigo Avô Fernando” é um clássico de presença na vida do meu neto… e da minha neta também!

— A creche foi sempre uma realidade na vida dos seus netos?

— Porque foi possível ter em casa uma estrutura de apoio que facilitou tal opção, os meus netos não foram para a creche muito bebés. Foram sim numa fase mais avançada e de resistências físicas mais fortalecidas. Vantagens e desvantagens para tal circunstância. Mas eu gostei que assim fosse também porque as minhas filhas seguiram o mesmo modelo e quer eu quer elas nos demos muitíssimo bem. Mas sim, desde muito pequeninos que um e outro ficaram com os avós, também para os pais poderem namorar e viajar, ou seja, terem vida a dois tão desejável em qualquer casal, sobretudo em início de vida.

— O que é que costuma fazer com os seus netos?

— Quando eles nasceram, e eu me reformei, tratámos de nos mudar para o mesmo bairro… just in case! E assim, estamos todos à mão de semear… o que acabou por se provar prático, eficiente e efetivo! Passeamos, visitamos museus, locais de cultura… Estamos muitas vezes juntos e eu gosto muito de, por exemplo, lhes contar histórias. E de lhes ler livros, também! E eles acabam por ter sempre um rol de livros para ler sobre os quais trocamos impressões. Estando já na fase dos livros de aventuras, o Manel gosta de história e, desde muito pequenino, devora livros sobre vida animal, geografia ou futebol. Já a Rita está na fase das princesas. Mas, é verdade, os dois continuam a gostar do clássico capuchinho vermelho ou da história da carochinha. E eu também… sobretudo porque, ainda que ambos acusem o toque quanto à minha criatividade na adaptação de conteúdo, a moral da história se pode sempre ajustar às circunstâncias… Também passam férias comigo. De parte a parte nos habituámos a ter tempo juntos. Normalmente aproveitamos as férias escolares em que os pais estão a trabalhar para irmos até ao Ribatejo, ou fazer uma viagem, ou estarmos juntos, por exemplo nas termas, a tirar todo o partido uns dos outros.

Cozinho com eles, também. Há um prato super simples de que me lembro de gostar desde que me conheço e que preparo com os meus netos. Eu gostava, eles gostam. E essa é, por essa razão, a minha receita de hoje. O prato da Srª Dª Lourdes, uma amiga da minha mãe que nós tanto gostávamos de visitar na sua casa da Golegã: Disponha num pirex transparente e retangular 1 camada de arroz de manteiga ainda húmido. Cubra o arroz com uma camada de atum em lata. Por cima uma camada generosa de ovos mal mexidos e a cobrir uma camada de batatas fritas em palitos ou em rodelas. Sirva com salada de tomate temperada com cebola e orégãos. Tão boas recordações tenho destas refeições…

— Como gosta de os ver vestidos?

— Pessoalmente gosto mais de os ver bem aprumadinhos. Sempre me preocupei em ver as minhas filhas de vestidos iguais, laçarotes, folhos, etc… Gosto de ver os meus netos nos mesmos tons, até nos fatos de banho. Mas não sou eu quem determina a forma como se arranjam. Esse é um papel que cabe aos pais e que, quando aplicável, eu tento apoiar. Se nesse apoio surgirem peças de que eu gosto, então tanto melhor! Campo de Ourique, o bairro onde vivemos, tem uma boa escolha de roupas para crianças. Mas também a Zara, numa relação preço design muito equilibrada, tem roupa bem interessante e que, por ser mais em conta, permite variar mais.

— Que tipo de presentes lhes costuma oferecer?

—Tentamos oferecer apenas na medida do sensato e do razoável. Presentes em excesso não dão bom resultado. Jogando com o fator surpresa evitamos grandes despesas. Claro que o Natal e o aniversário de nascimento são dias especiais e constituem a oportunidade para oferecer algo há muito desejado… um equipamento de futebol do sporting, o unicórnio interativo, aquela bola, aquele puzzle, aquela boneca… e, sim, uma poupança feita agora a pensar no futuro, é um papel que os avós podem cumprir como ninguém. Mas também os presentes coletivos podem ter um efeito surpreendente. Há um par de meses fomos todos de fim de semana a Santiago de Compostela num presente do Avô enquanto padrinho de crisma do Manel.

— Qual o maior medo deles? E o seu maior medo, em relação a eles?

O maior medo das crianças de hoje… e dos avós… e dos pais… prende-se definitivamente com os temas da segurança.

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