A MORTE

Eu Sem Nós

Hoje à noite, na sala de operações, perdemos um doente.

Nós enfermeiros, estamos habituados à morte. Vêmo-la todos os dias, Faz parte da nossa profissão e, como tal, da nossa vida. A maior parte das vezes acontece por doença ou velhice, as pessoas que temos à nossa frente, deitadas na marquesa, estão cansadas, exaustas de lutar, ou de alguma forma, já  “merecem” ir-se embora e por isso, aceitamos a sua “viagem”  como inevitável.

Mas quando ela nos rouba alguém que ainda tem tudo para viver, quando não conseguimos – nós, os médicos, os auxiliares (agora chamados assistentes operacionais) e qualquer outro técnico de saúde – vencê-la, por mais que façamos, a frustração, a raiva e a revolta continuam a  tomar conta de nós.

O doente tinha 26 anos. Podia ser o nosso filho, o nosso neto, irmão, namorado…

Hoje à noite, não houve conversas animadas, risos, discussões ou troca de piadas.

Um silêncio pesado, acabrunhante invadiu o Bloco Operatório Central  do Hospital de S. José.  Todos perdemos alguém.

 

 

 

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