Avó da Semana: Amélia Cruz

Avó da Semana

Aos 73 anos, Amélia Cruz, a Vóvó Nela, vive em Londres com o seu marido de há 36 anos. O seu estilo varia muito conforma sua disposição, o sítio onde se encontra e “até a hora do dia! Gosto de me sentir confortável e não tenho preferência por lojas ou marcas. Desde que goste, tanto me faz! Cheguei a fazer a ,inha própria roupa quando era mais nova.” afirma.

Hoje em dia não usa maquilhagem: “acho que me envelhece mas quando era mais nova não saía de casa sem me pintar! E não uso perfume nenhum, não gosto!” revela.

“Durante a minha vida tive várias ocupações, todas elas em contacto com o público. Fui recepcionista em várias empresas, monitora de uma empresa de produtos tratamento de pele e em paralelo fui consultora de imobiliária. Quando me reformei tinha a minha própria imobiliária. Assim que me reformei passei a dedicar-me ainda mais à família e ao artesanato que é actualmente o meu hobby.”

Não é apaixonada por viagens mas há poucos anos conseguiu juntar todos os filhos e netos e fez a viagem da sua vida a XXXX. Por outro lado adora escrever mas também ler “principalmente tudo o que seja informação. E o filme da minha vida é um filme francês de 1966, cujo título é ‘Um homem e uma mulher’ de Claude Lelouch.” explica.

E “amo cozinhar, para a minha familia e amigos. Gosto de improvisar e a minha casa foi sempre o melhor restaurante.”

“A minha infância foi muito feliz. Não sendo de famílias abastadas, nunca tive carências. Só tive um irmão e era do mais rebelde que podia existir!” conta, sorrindo. “O que eu gostava mesmo era de brincar na rua com o meu mano e os amigos dele, jogar ao chamado bilas, caricas, carrinhos de rolamentos e tudo que fosse brincadeira de rapazes. Tive também bonecas de papelão a quem dava banho e se desfaziam, mas tive um brinquedo que me marcou; uma maquina de costura de folha (lata).” Recorda com nostalgia.

“Embora nessa época a maioria das crianças fossem educadas com tareia, não me posso queixar, o meu pai, que faleceu tinha eu 18 anos, nunca me bateu. Minha mãe de quando em quando deu-me umas chineladas, mas nunca resolveram nada.” Sorri com a lembrança.

“Recebi muito amor e carinho, que, como hoje, são a melhor educação e penso que a liberdade que tive me tornou na pessoa humana que julgo ainda ser hoje.”

As férias na aldeia, com os Avós e primos eram um tempo de felicidade: “Adorava a vida no campo e ainda hoje para mim, significa um sentimento de grande liberdade. A minha casa da aldeia é o mais maravilhoso refúgio do mundo!”

No entanto as relações avós/netos eram completamente diferentes no seu tempo: “Os meus Avós não tinham tempo para brincar com os netos e muito menos falarem de certos assuntos. Eu com os meus netos brinco e falo de tudo consoante a idade de cada um, sem qualquer tabu. Sempre com muito respeito, mas quer os meus filhos quer o meu marido dizem que nem se percebe quem são os netos e quem e a Avó.”.

Para a Vóvó Nela ser Avó foi: “ser abençoada por ter sido mãe. Um prémio divino a dobrar! O nascimento duma criança é sempre uma bênção por isso imaginem o que senti quando soube que ia ser Avó. Amei!”

Os 4 netos de Amélia são filhos dos seus três filhos, Raul, Paula e Bruno. Do Raul tem uma neta de 20 anos, a Nicole, que já está na faculdade e longe de casa. “A minha neta mais velha é muito independente. Sempre viveu longe de mim mas quando estamos juntas é como se nos tivéssemos visto ontem. Já recebeu vários prémios como pianista.” Diz com indisfarçado orgulho.

Catarina de 14 anos é filha de Paula: “ se eu tivesse que a definir com uma única palavra, escolheria ‘energética’. A Catarina é muito boa aluna, e já joga basquetebol na selecção de Lisboa.”

Bruno, o seu filho mais novo – o único que é também filho do actual marido de Amélia – já lhe deu dois netos, a Alice de 13 anos “a minha neta ‘eficiente’ que adora escrever!” e Apolo de 9, um rapazinho “muito esperto e inteligente apesar de ser surdo implantado com uma doenca rara (Galotossemia).E é muito atrevido!” conclui sorrindo enternecida.

Os netos da Vóvo Nela nasceram em contextos diferentes: “A Nicole nasceu longe de mim e a primeira vez que a vi já tinha uma semana. Nunca viveu comigo. Já a Catarina vi-a nascer. Adorei o primeiro banho, as fraldas e o biberon e nunca senti qualquer problema em ficar com ela. A minha terceira neta, a Alice, era filha de pais adolescentes e foi criada até aos 5 anos por mim.

O Apolo também nasceu longe de mim, mas foi o seu nascimento e os seus problemas que me fizeram vir com o meu marido viver para Londres. Situações diferentes, amor igual.”

Absolutamente convencida que nunca invadiu o espaço dos seus filhos, Amélia não usa nunca a frase ‘no meu tempo’: “Acho que o meu tempo e passado e hoje é hoje! Quem deve educar são os pais e os Avós devem seguir as regras dessa educação. Eu sou Avó e todos os meus netos felizmente, têm mãe! Além disso têm a sorte de ter pais atentos, que se preocupam, o que me dá uma grande satisfação. E até agora os resultados são positivos.”

Quando eram pequenos a nossa Avó da Semana gostava de lhes ler histórias para adormecerem: “A nossa preferida era a Alice no País das Maravilha. Ainda hoje nenhum dos meus netos dorme antes de ler qualquer coisa.”

“Não damos presentes apenas no Natal e nos anos deles; damos sempre que nos apetece!” diz desassombrada. Para as raparigas livros “que elas adoram” para o Apolo, as novidades da Lego.

“O meu marido, embora só seja pai do meu filho mais novo – fui mãe aos 42 anos – é pai de coração dos outros dois e avô babadissimo os quatro netos. Participa em tudo, está sempre presente.”

“Ser Avó é a primeira maravilha do mundo!” é a forma querida com que Amélia Cruz conclui a nossa entrevista.

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