Avó da Semana: Margarida da Silva e Torres Vieira

Avó da Semana

Isto de ser avó paterna é tramado. Ser mãe do pai é diferente de ser mãe da mãe. Completamente. Há muito mais cumplicidade quando são mulheres. Tenho a certeza que todas as avós paternas sentem isto principalmente quando os pais são separados, como acontece com o meu filho, Francisco. Acabo por estar menos com o meu neto, João. Jantamos ou almoçamos juntos de vez em quando. Bem no fundo, gostava que fosse um bocadinho mais. Mas é o que é…

Evidentemente que o facto de hoje em dia, eu viver na Ericeira e ele em Lisboa não ajuda muito…

O que não quer dizer que não o adore!

O João, que hoje tem 17 anos, é um doce de menino, giro, que já faz charme, simpático, independente, engraçado, diplomata, responsável, enfim, super querido!

E eu delirei, positivamente quando soube que ele ia nascer: o Francisco e a Paula deram-me a novidade ao jantar, tinham acabado de vir da Tailândia.

A-DO-REI!!!

Fiquei super feliz, por eles e por mim, claro.

Fiz questão de acompanhar de perto a gravidez da Paula e quando o João nasceu (felizmente correu tudo bem) acho que o sentimento que me invadiu foi o orgulho. Senti-me extremamente orgulhosa por eles e ao mesmo tempo percebi que, para mim, ser Avó é voltar a ter um filho. Volta tudo ao principio, com um grande e um pequeno.

Até aos 10 anos, passava muito tempo com o meu neto, principalmente na fase em que os pais se separaram e quando, por volta dos dois anos o João esteve muito doente.

No entanto sou alérgica a interferências por isso se os meus filho e nora, precisavam de mim, tomava conta dele. Mas não me metia. Nem meto. Eles é que sabem o que querem que o filho seja. Ao mesmo tempo, se me perguntavam, sempre disse o que pensava.

Se bem que, aqui entre nós, tenha sido um bocadinho difícil ser “apenas” Avó. Acho que há um bocado de ciumeira. O “segredo” é gostar deles e  pensar: “e se fosse comigo?”

O João parece-se com o Pai, até a vestir-se — de cada vez que quero comprar-lhe roupa “mando” o Francisco comprar-lhe, ele sabe melhor do que o João gosta —, ambos adoram máquinas, por isso acho que o futuro dele provavelmente passará por aí. E tem imenso jeito para desporto que pratica quase diariamente. É claro que também passa imenso tempo com os gadgets, (fruto do tempo…) mas ele tem que ter o mundo dele. E tem os amigos. E estuda. E tem tempo para a família. É um rapaz normalíssimo que tem a sua vida. Por isso, acho que tem uma educação equilibrada. Os pais  têm tempo para ele e impõem-se quando é necessário. Aliás, acho até que os pais têm mais tempo para ele do que eu tive para o meu filho!

Hoje em dia penso que com a disponibilidade de informação existente, é necessário ter muito mais atenção e transmitir valores que permitam que haja um escudo contra esta confusão que por aqui anda. E quando as crianças são muito pequenas, precisam mesmo de mais companhia por parte dos pais ou dos avos, ou de adultos responsáveis. O mundo hoje está selvático e os pequenos precisam de se sentir seguros e integrados. Eu apenas apanhei a fase até aos 10 anos do meu neto mas os valores dele são os mesmos que eu tive, adaptados, obviamente. Em resumo, acho que a minha “genra” e o meu filho fizeram uma obra de jeito. Ele é de facto um rapaz 5 estrelas. O meu único “medo” em relação a ele, é que não use as asas e se torne o mais independente possível.

Já eu tenho muitos medos: o desconhecido e o desconhecimento dão-me um nó no coração e no estômago. Por isso faço os possíveis por os “despachar” em 2 ou 3 dias. As vezes levo mais tempo. Mas depois penso: medo tenho sempre, por isso, o melhor é despachá-lo e enfrentá-lo. Depois é um alivio!

Mais sobre mim?

O meu nome é Margarida da Silva e Tôrres Vieira, estou “na casa” dos setenta, sou casada e o meu estilo é prático, confortável, misturo roupa desportiva com casual, mas faço os possíveis por comprar uma peça de boa qualidade por ano. No entanto, quando vou a Lisboa adoro ir à Berschka ou à Zara.

Sempre me arranjei e agora com a idade embora não me pinte todos os dias — ando de cara lavada para passear os cães —, faço questão de andar bem arranjada. Se é para sair maquilho-me. Pinto os olhos, baton gloss natural e gosto dos produtos da Chanel e da Dior. Perfumes é  mais complicado. Têm que ser fortes, porque “como de comer ” os perfumes. J’adore e Gucci Rush são dois dos meus preferidos.

Fiz imensas coisas durante a minha vida e sempre ou quase sempre tive prazer no que fiz. Quando me fartava procurava outra coisa. A mais duradoura, foi trabalhar numa agência de viagens.

Hoje que estou reformada, entretenho-me com imensas coisas. E é por fases. Adoro decorar casas. Já pintei. Faço colares. Ando a pé. Adoro política e coisas criativas.

Agora ando numa de cozinhar para os amigos e arranjo umas jantaradas ca em casa quase todas as semanas. Uma coisa que acho a maior graça é o facto do meu neto também gostar de cozinhar. Nas férias que, até há dois anos, passávamos juntos na Quinta do Lago, ele adorava fazer bolo de bolacha e ir para a cozinha fazer petiscos. E bons, que eram!

A minha cozinha preferida é a portuguesa — cozido a portuguesa! — e odeio sushi e sashimi e com um bocadinho de jeito o ceviche também não faz o meu género, nem bifes crus. Brrrr.

O meu restaurante preferido, assim de repente é a Esplanada do Sul aqui na Ericeira. Dez estrelas. Também adoro o Alambique na Quinta do Lago.

Gosto de viajar, mas ao meu ritmo. Não tenho pachorra para ir com grupos.  A minha primeira viagem a Londres, logo a seguir ao 25 de Abril, foi sem dúvida a que mais me marcou. Era tudo diferente.  Um mundo absolutamente novo!

E adoro Paris mas a minha viagem de sonho seria ir ao deserto de Gobi na Mongólia ou ir à Islândia. Parecidíssimo! J

Também adoro ler, mas desde que preciso de óculos para ver ao pé, meti férias de ler na cama, o que não tem nada a ver com nada. Mas vai-me passar! Dedico-me mais a jornais e revistas. Adoro policiais, biografias (quando são bem feitas), banda desenhada, romances etc.  O livro da minha vida é a Montanha Magica, definitivamente. Adoro aquelas discussões sobre o tempo entre o jesuíta e o liberal. E os Corto Maltese. São  livros de encantar. Os sul americanos também.

Qual foi a minha maior conquista? Conseguir emagrecer 13 quilos aos 70 anos. Prosaico, mas levou um ano. Mas em primeiríssimo lugar o meu filho. Absolutamente de oiro!

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