Avós como Nós: NUNO DA CAMARA PEREIRA

Avós como nós

O ser avô apenas o entendo diversa e densamente cheio de “nós”; e cada vez mais tal acontece, tendo em conta por um lado a desagregação da família na relação parental, quer por obrigação de ambos os pais terem e quererem trabalhar, por exigência económica e realização profissional, bem como perante o paradigma contemporâneo na organização social sempre reclamada.

Por isso mesmo nós avós somos hoje chamados a uma maior, mais presente e mais forte relação com nossos netos na medida em que os vamos muitas vezes buscar à escola, com a necessidade de sermos nós os próprios babysitter , quando nossos filhos pretendem sair para programas diversos, com maior ou menor permanência.

Assim sendo, a aproximação dos avós com os netos muito naturalmente vem paulatinamente mudando, reunificando e fortalecendo os “nós” familiares, que no caso de divórcio parental a reunifica na geração anterior, valorizando e cimentando assim a relação com os avós respectivos .

Se é certo que as relações entre pais e filhos se alteraram para uma horizontalidade, também se quebrou a distancia entre as gerações(avô/neto) no que concerne a uma maior aproximação ,quer pela necessidade evocada, quer até pela mobilidade hoje muito mais facilitada.

Daí que comparando a minha relação que com meus avós, bem mais distante, nada tenha a ver com a de hoje aonde os avós, por uma maior e mais directa e continuada presença, influenciam e interagem mais directamente na educação e formação das gerações de amanhã.

Assim é, que em abono da verdade se por um lado quando se foi Pai, por falta de disponibilidade ou maturidade, não se conseguiu transmitir todos os valores familiares, bem como todas as advertências exógenas em relação aos múltiplos perigos exteriores à família, por outro repõe eventualmente as aparentes insuficiências através dos próprios netos junto de seus filhos ,agora como nunca, mais vulneráveis à influencia paternal.

Saber um dia, há já 12 anos que iria ser avô e hoje o sou mais seis vezes, veio devagar e sem que me apercebesse a consciencializar o papel da cada qual dentro da família e perante a sociedade, na valorização e realização dos projectos materiais e imateriais que sempre realizam a noção de continuidade cósmica.

A palavra “neto” ao principio, confesso não me soou bem, não a aceitando de pronto, contudo, com o contínuo nascimento de todos os outros e com a relação e comunicação que foi brotando, em maior ou menor grau com cada um, fui compreendendo e aceitando melhor as mudanças de mentalidade, atitude e costumes de agora, catapultando-me para a contemporaniedade e futuro que me deixou de assustar, pelo contínuo “chamamento” na sua formação e influência direta.

Por isso mesmo, me revejo neles para uma segunda oportunidade de parentalidade que me catapulta não só para uma reciclada relação familiar, mais madura, presente e experimentada, como também para um verdadeiro e legitimo patriarcado que me realiza como homem, perante Deus e perante a própria historia.

Neles, sinto profundamente a realização de meu rejuvenescimento bem como a ternura, o amor, o carinho que por falta de disponibilidade ou maturidade, confesso então não consegui partilhar com seus pais, meus filhos, agora eles meus “nós “ também.

 

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