AVÓS COMO NÓS: PAULA BOBONE

Avós como nós

“… conto histórias baseadas nas antigas. Temos todas medo do lobo mau. É o protagonista de que fazemos troça.”

PAULA BOBONE é licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em estudos italianos nas Universidades de Perugia e Milão.Foi Chefe de Divisão de Informação e Relações Públicas no Ministério da Cultura, Chefe de Divisão das Relações Internacionais e Interparlamentares na Assembleia da República e assessora principal do Ministério da Cultura até se reformar.
Mas quem se lembra disso?
Do que o público em geral se lembra ao ouvir o seu nome, é dos livros de etiqueta, protocolo, imagem pessoal, gestão de eventos, educação de crianças e crónica social que escreveu e que tanto sucesso tiveram mas também da sua “excentricidade” a vestir-se, ligando apenas ao seu próprio gosto e opinião.
É com muito gosto que partilhamos o texto que Paula Bobone escreveu para no blog “Avós sem Nós” .

O meu nome é Paula Bobone, tenho 71 anos, sou casada, vivo em Lisboa e no Verão em Cascais. Não sou uma pessoa com um estilo definido em termos de moda, quem me vê que tente interpretar se lhe interessa. Eu concordo sempre! Tenho muita roupa e vou escolhendo para não repetir. Compro low cost, grandes marcas e ainda vintage. Quanto aos sapatos agora aderi aos rasos. Fora os saltos altos! Mas tenho muitos.

Maquilhagem só quando vou a uma actividade social. De resto só baton e sobrancelhas. Perfume em Lisboa, Calèche do Hermès há muitos anos. Fora de Lisboa uso os que me dão.

A minha relação com os meus avós foi muito simpática, principalmente com a avó materna. Dos avós paternos não me lembro mas eram pessoas respeitadas na família, muito queridas, sem histórias tristes.

Já a minha relação com as minhas duas netas, A Carolina de 4 anos e a Maria de 2, é maravilhosa.

São filhas da minha única filha, Sofia, que é uma bela mãe e grande trabalhadora na vida profissional. A educação que a Sofia dá às filhas é muito mais cuidadosa do que a que eu lhe dei. Não sei onde ela aprendeu, mas deve ter lido algum livro importante. Seja como for, ela, o marido e as filhas são uma família muito normal e simpática.

Fiquei muito contente quando soube que ia ser Avó. Ser avó é um encanto para mim. Dizia alguém que os netos nos dão o sentido de eternidade. Todos partimos mas se ficam netos, é um bocadinho de nós que sobrevive.

As minhas netas nasceram numa fase da vida em que estava reformada e o avô Vasco também, portanto a disponibilidade vai bem com o que a família precisar. Ajudo no que é preciso e com muito gosto. E não preciso de educar as minhas netas mas quando estou com elas não as deseduco. Respeito os pais e mais nada. Nunca digo: “no meu tempo…”, nem questiono a minha filha pois ela saiu bem educada. Uma boa mãe, em princípio, dá bons filhos. Sei que há excepções  mas não sou pessimista.

O segredo para lidar com elas é muita alegria, pequenos divertimentos ao nosso alcance um que outro brinquedo barato e uma bolachinha ou um chocolatinho de vez em quando. Quando pernoitam connosco há muita galhofa e se calhar deitam-se mais tarde. Eu entro facilmente na onda delas.

Tanto no  Verão como no Inverno vivemos perto e, principalmente no Inverno, em casa, conto histórias baseadas nas antigas e muito adaptadas aos disparates que elas gostam. Prefiro inventar do que ler, porque elas são pequeninas e apreciam os improvisos. Temos todas medo do lobo mau. É o protagonista de que fazemos troça.

Durante o tempo de escola vou buscá-las e depois fico lá em casa com elas até chegar a mãe ou o pai. Constato entretanto que, como nas famílias modernas, os pais olham bastante para os telemóveis. No meu tempo não era assim. E quanto à TV, quando estão comigo, consigo disfarçar a procura do pequeno ecran mas às vezes quando estão a comer, não consigo, querem mesmo ver.

Com o tempo as coisas vão mudando e adaptamo-nos às novidades. Quando forem mais velhas logo se vê. Não há estratégias. Faz-se o que se pode.

Não sei se sou uma avó babada. Acho as miúdas muito engraçadas e gostamos todos umas das outras. Elas gostam muito das duas avó que têm e temos tentado cultivar o espírito de família. Eu dou valor à família, à escola e aos amigos.”

 

 

 

 

 

 

 

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