O meu neto e a praia (por Luisa Cagido)

Netos

Fomos à praia, eu e o neto.

Ir à praia com o Eduardo não é sentar na toalha e desfrutar o prazer do Sol, o não fazer nada, que é tão bom!!, não, a praia é sinônimo de exploração.
De camaroeiro em punho, balde na outra mão, para a recolha dos achados, que podem ser pequenos peixes, caranguejos ou camarões, mas também, à falta de melhor, conchas, lapas, algas, etc., etc.
Aparecem sempre “amigos”, e o Duda delira, faz gala dos seus conhecimentos da vida marinha, explica, embala por ali fora e conta estórias das baleias, lulas gigantes, enfim, vive o momento.
Mas é muito engraçado vê-lo, muito atento a tudo, o que cada um apanha, se sabem os nomes deste ou daquele caranguejo, se é eremita, ou se dentro do búzio está antes uma lesma com “corninhos ” e tudo, e empresta todo o seu “material” , pá, uma pá gigante que compramos há dias porque era mesmo preciso!!, o camaroeiro, o balde, tudo. E fica ele de mãos a abanar, literalmente, porque oEduardo quando está feliz ( é ele que diz ), abana os bracinhos como se quisesse voar.
Esta quarta-feira, duas senhoras brasileiras com 3 crianças sentaram-se relativamente perto e em dois tempos estavam , as crianças, de roda do Eduardo que a essa altura já tinha um pequena aquário dentro do balde e pegava nos pobres caranguejos para que os vissem melhor, nas cobras marinhas ( pequenos vermes pretos que não sei o nome), camarões, etc.
É claro que dois segundos depois o Duda fala com sotaque brasileiro, uma das crianças, o mais pequeno, soube mais adiante que só tinha 3 anos embora fosse muito grande para a idade, agarra na pá especial do Duda e começa a bater com ela nas rochas, partiu-a, obviamente, sob o olhar indiferente da mãe que, quando percebeu que eu estava a ver, resolveu ralhar com o filho e pô-lo de castigo, sob fortes protestos do culpado!
Mas o Eduardo é um menino muito especial, não podia deixar passar uma coisa destas sem interferir, deixou o que estava a fazer e foi determinado ter com a mãe do menino ” senhora, não podes castigar o teu filho, ele não queria partir a pá, ele só queria divertir-se, foi um acidente, ele não tem culpa.” E depois, para reforçar o argumento, acrescenta ” não tem importância nenhuma, era uma pá do chinês!!”
E ele sabia que não era, tinha sido comprada porque “era mesmo preciso”, não importava o preço!
São manhãs inesquecíveis, momentos sem preço, e eu fico tão grata, tão mais rica, com estas nossas aventuras !
De tarde fomos ao parque, havia muita animação, muitas crianças, adultos descontraídos espalhados pelo relvado atentos aos seus rebentos .
Depois de experimentar vários escorregas, de cabeça para baixo, de costas, etc., etc., o Eduardo quis andar de baloiço. Estavam todos ocupados e ele ficou pacientemente à espera que vagasse um. O pai de uma menina, brasileiros mais uma vez, disse-lhe
“Filha, deixa o amigo andar um pouquinho ”
O Eduardo levanta os olhos para o senhor e pergunta ” quem é o amigo ??” ” É você !, não é amigo dela ?”
“Não, acho que não.” E não quer ser ?
” Quero, claro que quero!”
Nesse meio tempo a menina larga o
baloiço e eu sento-o para ele andar, mas o Duda fica inquieto, olha para todos os lados e por fim a pergunta “onde está a menina ?”
Foi brincar para outro lado para tu poderes andar de baloiço.
” e como é que eu vou ser amigo dela se ficar aqui ? Tira-me depressa vó, tenho que encontrar a menina, eu disse ao pai dela que ia ser amigo !”
E este é o meu neto Eduardo, um menino que todos os dias me surpreende.

 

 

 

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